
Ser feminina ou feminista, eis a questão.
Mulheres da minha família, as bençãos dos céus sobre nós!
"Feminismo é um conjunto de movimentos políticos, sociais, ideologias e filosofias que têm como objetivo comum: direitos equânimes e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões patriarcais, baseados em normas de gênero"
Nasci em 1949, finalzinho da geração anos 40.
Hoje para escrever esse texto tive de fazer um passeio aos anos anteriores desse 2019.
Revivi muitas lembranças e saudades, principalmente nas décadas de 50 e 60, minha infância, minha juventude!
Lembrei principalmente das mulheres que conheci e convivi, pois, escrevo hoje para nós mulheres!
Mulheres cheias de filhos, minha mãe teve 9 filhos, acha saúde e disposição para criar quase um time de futebol.
As mudanças começaram por volta da década de 40, devido a segunda guerra, onde os homens foram guerrear e as mulheres tomaram o comando da casa , dos negócios e a educação dos filhos.
Mulheres de fibras, de coragem, de tenacidade, que faziam trabalhos de casa como mulher e ajudava os maridos nos trabalhos deles, continuando femininas, quando o machismo imperava tinham algumas mulheres submissas até demais, mas isso também foi mudando.
Anos 60 vieram para quebrar paradigmas, mostrar direitos, alguns esqueceram dos deveres.
As mudanças chegaram rápidas demais e com elas vieram também todo tipo de liberdade, drogas mesmo que escondidas, todos sabiam que existiam e famílias começaram a se desestruturar, corpos a mostra, beijos "escandalosos " a vista de todos, filmes pornôs com propagandas assustadoras para a época um horror, minissaias. Nossa, usei muito!
Um confronto entre um mundo conservador e o mundo moderno onde tudo é permitido.
As mães que sobremaneira, lutaram com tudo isso para manter a família unida, com todas essas novidades inquietantes.
Mulheres anônimas lutaram por nossos direitos, o que foi muito bom e digno. Tivemos grandes vitorias como voto, apesar de ter conquistado avanços como o direito ao voto, a implantação de delegacias especializadas e a inserção da mulher no mercado de trabalho, ainda possui muitos desafios para superar.
Só não podemos esquecer de sermos femininas ainda que feministas!
AnaMedeiros
Sexualidade e o câncer de mama
O câncer de mama afeta cada mulher de uma forma bem diferente. Cada uma recebe o diagnóstico de um jeito. Cada uma encara o tratamento de um jeito. O que se pode afirmar sem medo de errar é que o câncer de mama não afeta apenas o aspecto físico de uma mulher, mas também o seu emocional. E a questão da sexualidade feminina precisa de um equilíbrio nestes dois aspectos para ser plena, saudável e feliz. Dessa forma, podemos dizer que a maior parte das mulheres que vivem esse processo de diagnóstico e tratamento de um câncer de mama tem sua vida sexual afetada.
Do ponto de vista físico, o tratamento para o câncer de mama utiliza medicamentos que acabam gerando bastante desconforto, dor e indisposição. A quimioterapia, por exemplo, pode provocar náuseas e vômitos, feridas na boca, dores musculares e fadiga, o que atinge a mulher fisicamente de forma bastante impactante. Os hormônios femininos também são afetados e, na maioria das vezes, causam diminuição da libido, da excitação e dificuldade no orgasmo, secura vaginal que pode levar à dor durante o sexo e, nos casos mais graves, menopausa precoce, que atinge todo o sistema reprodutor. Toda essa agitação de hormônios impacta também a autoestima, juntamente com a queda dos cabelos, cílios, sobrancelha e uma possível cirurgia nas mamas.
Com tudo isso, como manter uma vida sexual ativa?
Autoestima, insegurança e apoio do companheiro
Você pode estar se perguntando: estou preocupada com minha sobrevida, com meu tratamento, com tantas coisas envolvendo a minha doença, eu ainda deveria estar preocupada em manter a minha vida sexual ativa?
Você tem razão, o processo todo que envolve um câncer de mama ocupa a mulher com muitas preocupações e medos. Dessa forma, é normal que o sexo fique de lado, seja esquecido. Saiba que está tudo bem. Não é possível fazer de conta que nada está acontecendo com você. E o sexo, antes de mais nada, deve proporcionar prazer aos dois envolvidos, não é uma “obrigação” sua dar prazer ao seu companheiro.
Durante o tratamento de câncer de mama, o ideal é sempre ter uma conversa sincera com o companheiro sobre como você se sente em relação ao sexo. Ouça as expectativas dele e compartilhe as suas. Falar das inseguranças em relação ao seu corpo pode ser uma dificuldade e você pode precisar de ajuda em sessões de terapia ou num grupo de apoio com outras mulheres vivendo a mesma situação.
Lembre-se de que você não é obrigada a nada! Mas conversar é sempre uma boa opção para manter o seu relacionamento saudável.
Já terminei o tratamento e ainda não consigo me relacionar
Após o tratamento de câncer de mama, muitas mulheres não conseguem voltar a ter interesse sexual. Muitas vezes são a falta de autoestima e a insegurança os principais fatores que atrapalham.
Se a paciente precisou de uma cirurgia, ela pode ter uma imagem corporal negativa de si mesma, não se sentir atraente e ter medo da reação do companheiro ao seu novo corpo. No caso de uma mastectomia, o indicado é uma reconstrução da mama atingida, sempre que possível, o que pode recuperar tamanho e forma dos seios, mas infelizmente ainda não traz de volta a sensibilidade da mama e dos mamilos, que são importantes órgãos sexuais. Neste caso, permita-se conhecer o seu novo corpo para saber se você ainda gosta de ser tocada nesta região. Há mulheres que preferem não ser tocadas perto da cicatriz, enquanto outras não se incomodam. Você vai precisar de um tempo para se conhecer novamente, permita-se ter esse tempo.
O que posso fazer para ter uma vida sexual ativa novamente?
A sexualidade é uma parte importante da vida e olhar para este aspecto da paciente com câncer de mama nada mais é do que cuidar de sua qualidade de vida, que impacta diretamente em seu tratamento.
Antes de qualquer coisa, a paciente que está com dificuldade, mas que tem desejo de retomar a sua vida sexual, deve procurar ajuda psicológica. Aceitar o seu novo corpo, falar sobre seus medos e ansiedade, com certeza são fatores que irão ajudar neste processo.
Procure uma atividade física que ajude você a manter seu corpo saudável e em movimento. Converse com seu médico sobre quais são as atividades mais indicadas e mexa-se! Esta atividade física pode melhorar seu desempenho sexual e sua autoestima.
Os lubrificantes também podem ser utilizados em caso de secura vaginal e dor durante o ato sexual. Durante a quimioterapia e a radioterapia, utilize apenas os lubrificantes à base de água. Enquanto estiver fazendo tratamento hormonal, seu médico poderá receitar algum lubrificante específico com substâncias que ajudem a potencializar os efeitos. Converse com seu mastologista sobre o assunto.
E se a libido ainda estiver em baixa, por que não investir em imaginação e criatividade? Convide seu parceiro para assistirem juntos a um filme, compre uma lingerie especial na qual você se sinta bonita, combine-a com um lenço ou uma peruca diferente. Ame-se e ame a sua vida!
O mais importante é você estar feliz consigo. Se a sexualidade é importante parte da sua vida, não desista de reencontrá-la!
https://www.cartacapital.com.br/
A resposta curta é: sim. A longa é este artigo
Feminismo não é clube: não precisa de carteirinha, não tem que pagar anuidade, e não exige uniforme. Você adora um esmaltinho e não quer nem pensar em deixar o sovaco peludo? OK! Você usa maquiagem, bate um cabelo e gosta de cor-de-rosa? Tudo bem: a expressão da sua identidade é decisão sua.
Policiar e regular as formas como as mulheres se apresentam sempre foi tarefa do patriarcado, e muitos dos elementos que compõem o que é socialmente entendido como “feminino” foram (e ainda são) utilizados como estratégias de dominação das mulheres.
Em outras palavras: alguns modos específicos de comportamento, bem como algumas expressões de identidade via corpo, foram (e ainda são) ferramentas de manutenção das mulheres em posições sociais inferiores às dos homens.
Assim, a mulher que não é passiva e dócil, ou a que não depila nem liga muito para as cutículas, é percebida como menos feminina e, portanto, como menos mulher.
Por isso entendemos a necessidade de uma crítica feminista à imposição do feminino. Esta crítica é importante e pertinente – mas, perceba, ela se dirige à imposição do feminino, e não ao feminino em si.
Questionar esta imposição não significa que tenhamos que desvalorizar quaisquer conhecimentos ou modos de viver que estejam definidos como tradicionalmente femininos. Há algo de muito preocupante nessa desvalorização, pois os “apetrechos” de domesticidade e de estética são valiosos, mesmo não sendo reconhecidos financeiramente em nossa sociedade.
Não gostaríamos de fazer do feminismo uma recusa do que é tradicionalmente feminino, apenas porque o que é tradicionalmente feminino nos foi (e segue sendo) imposto como condição para ser mulher. Queremos que esses atributos também sejam valorizadas pela sociedade, e perpetuados, indiscriminadamente, por quem queira – mulher ou homem, cis ou trans, hetero ou homossexual, ou quaisquer outras identidades.
Feministas se ocupam de expor machismos, desconstruir misoginias e destruir o patriarcado – e nada disso depende de estarmos com as pernas peludas, tampouco em cima de um salto bem alto.
*Publicado originalmente no site #CasadaMãeJoanna.
DIA DAS MÃES
Ensinarás a voar
Mas não voarão o teu voo.
Ensinarás a sonhar
Mas não sonharão o teu sonho.
Ensinarás a viver
Mas não viverão a tua vida.
Ensinarás a cantar
Mas não cantarão a tua canção.
Ensinarás a pensar
Mas não pensarão como tu.
Porém, saberás que cada vez que voem, sonhem, vivam, cantem e pensem...
Estará a semente do caminho ensinado e aprendido!
Do meu jeitinho...
Mais um dia para comemorar, mais um ano para agradecer a Deus, pelos frutos do meu ventre.
Gratidão a Deus por todos os obstáculos que consegui ultrapassar
Gratidão a Deus pela família que criei
Gratidão a Deus pelas pessoas que ele colocou na minha família, homens e mulheres de honra
Gratidão a Deus pelos filhos que não foram gerados do meu ventre e que ele me capacitou para cuidar
Gratidão a Deus pelo ventre da minha mãe que me gerou
Gratidão a Deus pelas amigas, reais e virtuais, que geraram seus filhos
Gratidão a Deus pelas mães de fibras pelo mundo
Gratidão a Deus por ele cuidar de todas nós
Gratidão a Deus por ele cuidar das mães que precisam de cuidado especial
Um pouco da história dessa mãe aqui!
AnaMedeiros
A luta feminina não pode parar
Fico imaginando: quantos gritos de dor, quantas lágrimas, quantos estupros, quantos ais mudos, calados, sufocados, por mulheres no mundo todo e por séculos desde a criação da vida na terra.
Imagina quando ainda éramos apenas procriadoras, sem voz, sem vez, apenas fêmeas?
AnaMedeiros
MAYARA AMARAL
ESTUPRADA, CARBONIZADA E MORTA
em Campo Grande Mato Grosso do Sul
Fica aqui a minha revolta, a minha impotência, a minha tristeza como mãe, irmã avó e mulher.
Deveríamos ter medo de cobra venenosa, leões, onças de animais nocivos.
Mas temos medo do bicho homem, por que esse não mata para se defender, mata por prazer e não venha me por culpa em drogas, fez-se pelo instinto cruel, estupraram para saciar suas taras, mataram para satisfazerem suas bestialidades, atearam fogo no corpo já sem vida para apagar seus crimes e foram dois homens contra a força de uma mulher.
Qual chance ela tinha para se defender?
Não venham dizer que ela foi levada ao motel por livre e espontânea vontade, atrás dessa história tem muito ainda para ser descoberto.
Mayara não pode mais nos contar o que de fato aconteceu, mas por honra a sua memória os fatos virão a se esclarecerem.

AnaMedeiros
http://claudia.abril.com.br/
Coluna da Patrícia Zaidan
Três homens contra Mayara Amaral. Ela está morta. Carbonizada
A polícia embarca na versão dos agressores, investiga como latrocínio e desconsidera a hipótese de feminicídio. O jornalismo erra junto com ela
access_time28 jul 2017, 18h43 - Publicado em 28 jul 2017, 18h12
Mayara Amaral, barbaramente assassinada em Campo Grande (Arquivo Pessoal/Reprodução)
O jornalismo está devendo muito às mulheres. Devendo respeito à verdade delas. As informações publicadas na chamada grande imprensa sobre a barbaridade cometida contra a musicista Mayara Amaral, 27 anos, são um vexame. A violonista, que vivia em Campo Grande, foi dada como desaparecida na segunda-feira (24/7). Seu corpo ressurgiu carbonizado na terça. Embora tenha todas as características de feminicídio, de crime horrendo que envolveu três homens, rito machista que subjugou a mulher e abuso sexual seguido de morte, as autoridades do caso conduzem as investigações no escopo do latrocínio — o roubo que se completa na extinção da vida.
Foi preciso que Pauliane Amaral, irmã mais velha de Mayara, se insurgisse contra o tratamento dado por policiais e jornalistas. Só assim soubemos o que aconteceu de verdade. Antes de ela postar seu texto nas redes sociais, nenhum veículo havia usado a palavra feminicídio. Pior, as notícias induziam à versão de uma Mayara que topou uma balada pesada com os estupradores, deu brechas para o triste fim. A escolha de fotos dela para ilustrar jornais físicos e digitais recaiu na linha batom vermelho ou em poses que, no contexto, tentam conferir contornos de frivolidade, volúpia e erotização. Fora dele, as fotos são de uma mulher como todas nós. Uma brasileira comum.
No mínimo, Tiago Macedo, o delegado responsável pela apuração, devia se atentar para isto: um dos três homens presos, Luís Alberto Bastos Barbosa, 29 anos, não era um estranho, mas alguém com quem Mayara havia saído algumas vezes. Segundo os jornais, Luís é músico e tocava com Mayara. Eles foram a um motel. Ali, um outro homem participou do estupro contra ela. Os acusados disseram que a violonista aceitou. Doutor Tiago Macedo: o senhor não caiu nessa, né? Havia um martelo. Com o qual Mayara fora golpeada até perder os sentidos. Concordo com a pergunta de Pauliane: Se Mayara consentiu com a transa a três, por que um martelo na jogada?
Pauliane diz no texto: “Eis a versão do monstro: minha irmã consentiu em ser violada, eles decidiram roubá-la, ela reagiu fisicamente, e eles, sob o efeito de drogas, golpearam-na com o martelo – ela morreu por acidente.”
O acusado, bem instruído por seu advogado, pode dar a versão que mais gostar. Mas o delegado, não.
Bem, Luís e o amigo contaram que puseram Mayara, morta, no carro dela (um Gol velhusco, de 1992), foram até a casa de um terceiro fulano, dividiram os pertences da violonista (o tal produto do roubo), lançaram o corpo em um matagal perto da estrada e tacaram fogo. Apenas as mãos da violonista ficaram inteiras, os outros membros viraram carvão.
O trio parece ter convencido o delegado. O veículo Campo Grande News atribuiu estas pérolas a Tiago Macedo: “Neste caso, ao que tudo indica até o momento, não houve homicídio. O que aconteceu ali é que o autor, verificando a possibilidade de cometer um roubo, atraiu a vítima e teve como resultado deste crime, que é um crime contra o patrimônio, a morte da vítima. Nós verificamos que existe uma tendência das pessoas afirmarem que porque uma mulher morreu é feminicídio, mas isso não corresponde ao ordenamento jurídico”.
Ora, se não foi feminicídio, o hediondo crime de ódio contra as mulheres, o que aconteceu, então? E o estupro? Não conta, doutor Tiago? Trata-se de mero detalhe? Dispensa investigação? Não é crime, e sim, consenso!
Três dias após os fatos não li reportagem investigativa. Não foram ouvidos a família, os amigos, os funcionários do motel. Ninguém reconstituiu a trajetória macabra. Os jornalistas esqueceram como se faz bom jornalismo.
Mayara, aos 27 anos, termina carbonizada. Fim dos sonhos, da breve carreira de musicista, que incluiu um mestrado na Universidade Federal de Goiás. Seu tema na dissertação: as mulheres compositoras e intérpretes no violão erudito. Queria dar visibilidade a elas em um mundo ainda muito másculo. Some uma cidadã que podia ir longe, amar muito, desenvolver projetos profissionais, pessoais e familiares…
Foram três homens contra uma mulher. Não vai ficar assim. Haverá uma manifestação em Campo Grande pedindo apuração severa, rigorosa e pena pesada. Outro ato está sendo planejado em São Paulo. Nós vamos apoiar.
Transcrevo aqui o desabafo de Pauliane Amaral, postado por ela nas redes sociais. Trata-se de uma importante reflexão sobre a polícia e o desrespeito que a imprensa reserva às mulheres.
(Arquivo Pessoal/Reprodução)
“Quem é Mayara Amaral?
Minha irmã caçula, mulher, violonista com mestrado pela UFG e um dissertação incrível sobre mulheres compositoras para violão. Desde ontem Mayara Amaral também é vítima de uma violência que parece cada vez mais banal na nossa sociedade. Crime de ódio contra as mulheres, contra um gênero considerado frágil e, para alguns, inferior e digno de ter sua vida tirada apenas por ser jovem, talentosa, bonita… por ser mulher.
Mais uma vez a sociedade falhou e uma mulher, uma jovem professora de música de 27 anos, foi outra vítima da barbárie de homens que não podem nem serem considerados humanos. Foram três, três homens contra uma jovem mulher.
Um deles, Luis Alberto Bastos Barbosa, 29 anos, por quem ela estava cegamente apaixonada, atraiu-a para um motel, levando consigo um martelo na mochila. Lá, ele encontrou um de seus comparsas.
Em uma das matérias que noticiaram, o crime os suspeitos dizem que mantiveram relações sexuais com minha irmã com o consentimento dela. Para que o martelo então, se era consentido?
Estranhamente, nenhuma das matérias aparece a palavra ESTUPRO, apesar de todas as evidências.
Às vezes tenho a sensação de que setores da imprensa estão tomando como verdade a palavra desses assassinos. O tratamento que dão ao caso me indigna profundamente.
Quando escrevem que Mayara era a “mulher achada carbonizada” que foi ensaiar com a banda, ela está em uma foto como uma menina. Quando a suspeita envolvia “namorado” hiper sexualizam a imagem dela. Quando a notícia fala que a cena do crime é um motel, minha irmã aparece vulnerável, molhada na praia.
Quando falam da inspiração de Mayara, associam-na com a história do pai e avô e a foto muda: é ela com o violão, porém com sua face cortada. Esse tipo de tratamento não representa quem minha irmã foi. Isso é desumanização. Por favor, tenham cuidado, colegas jornalistas.
Para nossa tristeza, grande parte das notícias dão bastante voz aos assassinos e fazem coro à falsa ideia de que os acusados só queriam roubar um carro. Um carro que foi vendido por mil reais. Mil reais. Um Gol quadrado, ano 1992. Se eles quisessem só roubá-la, não precisariam atraí-la para um motel.
Um dos assassinos, Luís, de família rica, vai tentar se livrar de uma condenação alegando privação momentânea dos sentidos por conta de uso de drogas. Não bastando matar a minha irmã, da forma que fizeram, agora querem destruir sua reputação. Eis a versão do monstro: minha irmã consentiu em ser violada por eles, elas decidiram roubá-la, ela reagiu fisicamente e eles, sob o efeito de drogas, golpearam-na com o martelo – e ela morreu por acidente. Pela memória da minha irmã, e pela de outras mulheres que passaram por esta mesma violência, não propaguem essa mentira! Confio que a Polícia e o Ministério Público não aceitarão esta narrativa covarde, e peço a solidariedade e vigilância de todos para que a justiça seja feita.
Na delegacia disseram à minha mãe que uma outra jovem já havia registrado uma denúncia contra Luís por tentativa de abuso sexual… Investiguem! Se essa informação proceder, este é mais um crime pelo qual ele deve responder. E uma prova de como a justiça tem tratado as queixas feitas por nós, mulheres. Se naquela ocasião ele tivesse sido punido exemplarmente, talvez minha irmã não tivesse sofrido este destino.
Foi tudo premeditado: ela foi estuprada por dois desumanos.
O terceiro comparsa – não menos monstruoso – ajudou a levar o corpo da minha irmã para um lugar ermo, e lá atearam fogo nela, como se a brutalidade das marteladas no crânio já não fosse crueldade demais. Minha irmã foi encontrada com o corpo ainda em chamas, apenas de calcinha e uma de suas mãos foi a única parte de seu corpo que sobrou para que meu pai fizesse o reconhecimento no IML. “Parece que ela fazia uma nota com os dedos”, disse meu pai pelo telefone.
A confirmação veio logo depois, com o resultado do exame de DNA. Era ela mesmo e eu gritei um choro sufocado.
Eu vou dedicar o meu luto à memória da minha irmã, e a não permitir que ela seja vilipendiada pela versão imunda de seus algozes. Como tantas outras vítimas de violência, a Mayara merece JUSTIÇA – não que isso vá diminuir nossa dor, mas porque só isso pode ajudar a curar uma sociedade doente, e a proteger outras mulheres do mesmo destino” Pauliane Amaral

http://www.suapesquisa.com/
História do Dia Internacional da Mulher
História do Dia Internacional da Mulher, significado do dia 8 de março, lutas femininas, importância da data e comemoração, conquistas das mulheres brasileiras, história da mulher no Brasil, participação política das mulheres, o papel da mulher

8 de março: Dia Internacional da mulher
História do 8 de março
O dia 8 de março é o resultado de uma série de fatos, lutas e reivindicações das mulheres (principalmente nos EUA e Europa) por melhores condições de trabalho e direitos sociais e políticos, que tiveram início na segunda metade do século XIX e se estenderam até as primeiras décadas do XX.
No dia 8 de março de 1857, trabalhadores de uma indústria têxtil de Nova Iorque fizerem greve por melhores condições de trabalho e igualdades de direitos trabalhistas para as mulheres. O movimento foi reprimido com violência pela polícia. Em 8 de março de 1908, trabalhadoras do comércio de agulhas de Nova Iorque, fizeram uma manifestação para lembrar o movimento de 1857 e exigir o voto feminino e fim do trabalho infantil. Este movimento também foi reprimido pela polícia.
No dia 25 de março de 1911, cerca de 145 trabalhadores (maioria mulheres) morreram queimados num incêndio numa fábrica de tecidos em Nova Iorque. As mortes ocorreram em função das precárias condições de segurança no local. Como reação, o fato trágico provocou várias mudanças nas leis trabalhistas e de segurança de trabalho, gerando melhores condições para os trabalhadores norte-americanos.
Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem ao movimento pelos direitos das mulheres e como forma de obter apoio internacional para luta em favor do direito de voto para as mulheres (sufrágio universal). Mas somente no ano de 1975, durante o Ano Internacional da Mulher, que a ONU (Organização das Nações Unidas) passou a celebrar o Dia Internacional da Mulher em 8 de março.
Objetivo da Data
Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.
Conquistas das Mulheres Brasileiras
Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.
Marcos das Conquistas das Mulheres na História
- 1788 - o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.
- 1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.
- 1859 - surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.
- 1862 - durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.
- 1865 - na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.
- 1866 - No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas.
- 1869 - é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres.
- 1870 - Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.
- 1874 - criada no Japão a primeira escola normal para moças.
- 1878 - criada na Rússia uma Universidade Feminina.
- 1893 - a Nova Zelândia torna-se o primeiro país do mundo a conceder direito de voto às mulheres (sufrágio feminino). A conquista foi o resultado da luta de Kate Sheppard, líder do movimento pelo direito de voto das mulheres na Nova Zelândia.
- 1901 - o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres.
- 1951 - a OIT (Organização Internacional do Trabalho) estabelece princípios gerais, visando a igualdade de remuneração (salários) entre homens e mulheres (para exercício de mesma função).
Você sabia?
- No Brasil, comemoramos em 30 de abril o Dia Nacional da Mulher.
- Hattie Mcdaniel foi a primeira atriz negra a ganhar uma estatueta do Oscar. O prêmio, recebido em 1940, foi pelo reconhecimento de sua ótima atuação como atriz coadjuvante no filme " E o vento levou ...".
Veja 10 filmes sobre feminismo para comemorar o Dia da Mulher
Data é comemorada nesta quarta-feira, 8 de março. Lista de longas tem histórias reais, dramas políticos e lutas contra o preconceito.
10 filmes sobre o feminismo para assistir no Dia Internacional da Mulher
Nesta quarta-feira, 8 de março, é celebrado o Dia Internacional da Mulher. E, apesar de todos os dias serem das mulheres, a data é um motivo ótimo para refletir sobre o papel e a importância do sexo feminino na sociedade. Por isso, fizemos uma seleção de dez filmes - entre histórias reais, dramas políticos e lutas contra o preconceito - que mostram a importância do feminismo. Confira!
A Dama de Ferro ("Iron Lady", em inglês)
'A Dama de Ferro', de Phyllida Lloyd | 2012: O filme é a biografia de Margaret Tatcher, a primeira - e, até hoje, única - mulher a ocupar o posto de primeiro-ministro do Reino Unido.
Interpretada por Meryl Streep, que ganhou o Oscar pelo papel, o longa retrata as dificuldades e os preconceitos que Tatcher sofreu para chegar ao cargo e as complicadas decisões políticas e financeiras que precisou tomar em um ambiente altamente patriarcal. Apesar de todos os obstáculos, a política ficou 11 anos no cargo, tornando-se a primeira-ministra a permanecer mais tempo no poder durante o século 20.
A Cor Púrpura ("The Color Purple", em inglês)
'A Cor Púrpura', de Steven Spielberg | 1985: Relata a história de Celie, inicialmente com 14 anos, durante 40 anos de sua vida. Em sua juventude, era violentada pelo pai, chegando a dar à luz duas crianças antes de se tornar estéril. A personagem vive um drama no qual é separada dos filhos, além de ser tratada de forma ambígua – como escrava e companheira.
Ela compartilha seu sofrimento em cartas e, com tempo, se revolta com sua situação – em uma época em que as mulheres negras eram consideradas cidadãs de segunda classe – e toma consciência do seu valor e das possibilidades que o mundo lhe oferece. Oprah Winfrey, Whoopi Goldberg e Danny Glover estão no elenco.
Thelma & Louise ("Thelma & Louise", em inglês)
'Thelma & Louise', de Ridley Scott | 1991: Um clássico do cinema. Dirigido por Ridley Scott e escrito pela cineasta Callie Khouri, o filme mostra a história das amigas Thelma (Geena Davis) e Louise (Susan Sarandon), que deixam suas vidas antigas para trás e põem o pé na estrada, encontrando todo os tipos de sexismo possíveis ao longo de sua jornada.
'Erin Brockovich: Uma Mulher de Talento', de Steven Soderbergh | 2000: Dramatização da história real de Erin Brockovich (Julia Roberts), que lutou contra a empresa de energia Pacific Gas and Electric Company (PG&E) ao descobrir que a água de uma cidade no deserto estava sendo contaminada e espalhando doenças entre seus habitantes.
Livre ("Wild", em inglês)
'Livre', de Jean-Marc Valléé | 2014: Perder a mãe, superar um divórcio e vencer o vício das drogas são ótimos ingredientes para descrever alguém que tem coragem de encarar de frente os problemas.
Em "Livre", Cheryl Strayed (Reese Witherspoon) decide mudar e investe em um novo recomeço em meio à natureza. Em busca de sua identidade e de um sentido para a vida, ela viaja 4.200 quilômetros por toda a costa oeste dos EUA, da fronteira do México até o Canadá.
Azul É A Cor Mais Quente ("La Vie d'Adèle -
Chapitres 1 & 2", em francês)
'Azul É a Cor Mais Quente', de Abdellatif Kechiche | 2013: A passagem da adolescência para o dia a dia adulto é um momento difícil de viver e ainda mais difícil de explicar. Por isso, são poucos os filmes que realmente se arriscam em traçar este caminho. Protagonizado por Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos, o longa retrata assuntos como a sexualidade entre duas mulheres e a luta contra o preconceito da sociedade.
'Tudo Sobre Minha Mãe', de Pedro Almodóvar | 1999: Com direção de Almodóvar, o filme lida com temas complexos como AIDS, transativismo, identidade sexual, religião, existencialismo e fé, enquanto conta a jornada de Manuela (Cecilia Roth), que após a morte acidental do filho retorna a Barcelona para contar a tragédia ao pai do menino. Em seu caminho, ela encontra sentido para sua solidão por meio de uma série de mulheres com quem vai conviver.
Terra Fria ("North Country", em inglês)
'Terra Fria', de Niki Caro | 2005: Após um casamento fracassado, Josey Aimes (Charlize Theron), mãe solteira e com dois filhos para sustentar, é contratada pelas minas de ferro de Minnesota, que sustentam a cidade há gerações. Ela está preparada para o trabalho duro e, às vezes, perigoso, mas o que não esperava era sofrer com o assédio dos seus colegas de trabalho. O filme se baseia no caso real de Eveleth Mines, que moveu o primeiro processo bem-sucedido de assédio sexual julgado nos Estados Unidos.
Histórias Cruzadas ("The Help", em inglês)
'Histórias Cruzadas', de Tate Taylor | 2011: Foca nas histórias de mulheres afrodescendentes nos Estados Unidos na década de 1960, as quais tinham que abandonar suas famílias para servir a elite branca local. No filme, uma das mulheres da elite as entrevista para mostrar ao mundo suas histórias. Protagonizado por Viola Davis, Octavia Spencer, Emma Stone e Bryce Dallas Howard.
'As Sufragistas', de Sarah Gavron | 2015: Conta o movimento feminista do início do século XX na Inglaterra, quando as mulheres estavam lutando para conseguir seus direitos de voto e melhores condições de vida. O movimento ficou conhecido como sufragista e conquistou vários direitos femininos. Estrelado por Helena Bonham Carter, Carey Mulligan e Meryl Streep.
As Sufragistas ("Suffragette", em inglês)